REDATA e Data Centers no Brasil: investimentos e infraestrutura
Nova lei cria incentivos para data centers no Brasil e pode acelerar investimentos em inteligência artificial, computação em nuvem, energia e infraestrutura crítica.
A corrida mundial pela inteligência artificial não acontece apenas no software.
Por trás de aplicações de IA, serviços de nuvem, plataformas digitais e processamento de grandes volumes de dados existe uma infraestrutura física cada vez maior: os data centers.
É nesse cenário que o Brasil criou o REDATA, Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter, instituído pela Lei nº 15.504, de 15 de setembro de 2026. O regime alcança projetos de instalação, modernização e ampliação de data centers no território nacional e inclui atividades como computação em nuvem, processamento de alto desempenho e treinamento e inferência de modelos de inteligência artificial.
O objetivo é tornar o país mais competitivo na disputa por uma nova geração de investimentos em infraestrutura digital.
E seus efeitos podem ir muito além da aquisição de servidores.
Novos data centers exigem energia, construção civil, instalações elétricas, refrigeração, telecomunicações, automação e sistemas de proteção e compartimentação contra incêndio.
O que é o REDATA?
O REDATA cria um regime tributário específico para determinados equipamentos destinados aos data centers habilitados.
A legislação prevê a suspensão de tributos na aquisição no mercado interno ou na importação de componentes eletrônicos e outros produtos de tecnologia da informação e comunicação destinados ao ativo imobilizado.
Entre os tributos abrangidos estão PIS/Pasep, Cofins, PIS/Cofins-Importação, IPI e Imposto de Importação, observadas as condições estabelecidas pela legislação.
A suspensão se aplica somente aos produtos relacionados em ato do Poder Executivo. Para o Imposto de Importação, o benefício é restrito aos produtos sem produção nacional equivalente e incluídos na relação oficial. Cumpridas determinadas condições, a suspensão pode ser convertida em alíquota zero.
Portanto, o REDATA não representa uma desoneração automática de todos os materiais e sistemas utilizados na construção de um data center.
Seu foco está principalmente na infraestrutura tecnológica prevista pela legislação.
Os incentivos vêm acompanhados de exigências
Para usufruir dos benefícios, as empresas precisam assumir uma série de compromissos.
Entre eles está a disponibilização ao mercado brasileiro de, no mínimo, 10% do fornecimento efetivo de processamento, armazenamento e tratamento de dados instalado com os benefícios do REDATA.
A legislação também determina que toda a demanda de energia elétrica das instalações beneficiadas seja atendida por contratos de suprimento ou autoprodução provenientes de fontes renováveis ou de baixa emissão.
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2026/lei/l15504.htm
Outro requisito é a eficiência no uso da água. O índice WUE, Water Usage Effectiveness, deve ser igual ou inferior a 0,05 litro por kWh, com aferição anual.
Também está previsto investimento no Brasil correspondente a 2% do valor dos produtos adquiridos com os benefícios do REDATA em projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação ligados à cadeia produtiva da economia digital.
Para estabelecimentos localizados nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, os compromissos relativos à capacidade destinada ao mercado interno e aos investimentos em pesquisa e desenvolvimento são reduzidos em 20%.
Esse tratamento regional pode ganhar importância justamente porque alguns dos grandes projetos brasileiros de data centers estão sendo desenvolvidos fora do eixo tradicional de São Paulo.
Um mercado que pode movimentar centenas de bilhões de reais
O tamanho potencial dessa expansão ajuda a explicar a importância do REDATA.
Em junho de 2026, o Ministério de Minas e Energia informou que o Brasil possuía cerca de 38 GW em pedidos de parecer de acesso relacionados a novos projetos de data centers.
Dentro desse universo, aproximadamente 7,1 GW representavam investimentos estimados em R$ 159 bilhões para os próximos anos.
Outro levantamento, produzido pela Brasscom, projeta que a capacidade instalada de tecnologia da informação nos data centers brasileiros possa atingir aproximadamente 2.629 MW até 2030, cerca de 2,5 vezes o nível considerado inicialmente pelo estudo.
A entidade estima investimentos acumulados próximos de R$ 400 bilhões até 2030.
São projeções de mercado. Isso não significa que todos esses investimentos estejam contratados ou que todos os projetos serão efetivamente executados.
Mas os números mostram a escala que essa infraestrutura pode alcançar no Brasil.
Data centers já alteram o planejamento energético
O crescimento do setor já está sendo considerado no planejamento do Sistema Interligado Nacional.
Na 2ª Revisão Quadrimestral das Previsões de Carga para 2026-2030, divulgada em agosto de 2026, EPE, ONS e CCEE elevaram a expectativa de crescimento médio anual da carga para 4,5%.
Para 2030, a projeção passou para 101.947 MW médios.
O estudo cita expressamente a expansão dos data centers entre os fatores incorporados às previsões.
Isso demonstra que a expansão dos data centers não é apenas uma questão de tecnologia.
É também uma questão de energia e infraestrutura nacional.
Data center é uma instalação de infraestrutura crítica
Quando se fala em data center, a primeira imagem geralmente é uma sala repleta de servidores.
Na prática, esses empreendimentos são muito mais complexos.
Além das áreas destinadas ao processamento de dados, podem existir salas elétricas, transformadores, sistemas UPS, bancos de baterias, grupos geradores, sistemas de refrigeração, corredores técnicos e diferentes áreas operacionais.
E existe uma exigência fundamental: continuidade operacional.
Uma falha ou ocorrência localizada não pode comprometer toda a instalação.
Por isso, disponibilidade de energia, redundância, refrigeração, segurança física e proteção contra incêndio precisam ser consideradas de forma integrada.
Compartimentação contra incêndio em data centers
A compartimentação é uma das estratégias de proteção passiva utilizadas para limitar a propagação do incêndio entre diferentes setores de uma edificação.
O sistema pode envolver paredes resistentes ao fogo, selagens de passagens e sistemas de fechamento capazes de preservar a separação entre os compartimentos.
Entre esses elementos estão as portas resistentes ao fogo.
Em grandes data centers, diferentes ambientes podem apresentar características distintas de risco e importância operacional.
Salas elétricas, áreas técnicas, setores de processamento e grandes vãos podem exigir soluções específicas para limitar a propagação do incêndio.
O princípio é objetivo: uma ocorrência iniciada em determinado setor deve permanecer, sempre que tecnicamente previsto, confinada àquela área pelo período estabelecido no projeto de segurança contra incêndio.
Em uma instalação cuja indisponibilidade pode afetar milhares ou milhões de usuários, essa proteção também está diretamente relacionada à resiliência da operação.
NBR 11711 e NBR 11742: funções diferentes
Na especificação das portas resistentes ao fogo é fundamental distinguir a função de cada sistema.
A ABNT NBR 11711 trata das portas e vedadores resistentes ao fogo destinados a aplicações de compartimentação.
Esses sistemas podem atender diferentes configurações e dimensões, inclusive grandes vãos, conforme o projeto e os requisitos técnicos aplicáveis.
Já a ABNT NBR 11742 estabelece requisitos para portas corta-fogo destinadas às saídas de emergência.
Portanto, são aplicações diferentes.
Uma porta destinada à compartimentação não deve ser automaticamente considerada uma porta de saída de emergência.
Cada solução deve ser especificada de acordo com sua função, com as normas aplicáveis, com o projeto de segurança contra incêndio e com as exigências do Corpo de Bombeiros da respectiva unidade da Federação.
Muito além dos servidores
O REDATA está direcionado principalmente à infraestrutura computacional, mas cada novo data center mobiliza uma cadeia industrial muito maior.
São necessários projetos de engenharia, instalações elétricas, geração e distribuição de energia, climatização, refrigeração, estruturas, automação, telecomunicações, sistemas de detecção e combate a incêndio e soluções de proteção passiva.
Isso significa que a expansão da infraestrutura digital brasileira pode criar oportunidades para diversos segmentos da engenharia e da indústria nacional.
Proteção contra incêndio também é continuidade operacional
Em qualquer edificação, a segurança contra incêndio tem como prioridade a proteção das pessoas.
Em um data center existe ainda uma segunda dimensão importante: a continuidade da operação.
Uma interrupção pode afetar sistemas empresariais, serviços financeiros, telecomunicações, plataformas digitais, serviços em nuvem e inúmeros sistemas que dependem daquela infraestrutura.
Por isso, proteção contra incêndio não deve ser tratada isoladamente.
Ela faz parte de uma estratégia mais ampla de resiliência, juntamente com redundância energética, refrigeração, disponibilidade dos equipamentos, segurança física e compartimentação.
REDATA pode abrir um novo ciclo para a infraestrutura brasileira
O avanço da inteligência artificial está ampliando rapidamente a necessidade mundial de capacidade computacional.
Países capazes de combinar disponibilidade de energia, conectividade, sustentabilidade, segurança e condições econômicas competitivas terão vantagem na atração desses investimentos.
O Brasil possui características relevantes, principalmente pela dimensão de seu mercado digital e pela participação das fontes renováveis em sua matriz elétrica.
O REDATA procura acrescentar competitividade tributária a esse cenário.
Se as projeções se confirmarem, os próximos anos poderão marcar um dos maiores ciclos de investimento em infraestrutura digital já observados no país.
E quanto maiores e mais críticos forem esses empreendimentos, maior será a importância de integrar energia, continuidade operacional, compartimentação e proteção contra incêndio desde a concepção do projeto.
SCALA SCI e a proteção de grandes vãos
Desde 1985, a SCALA SCI atua no desenvolvimento e fabricação de soluções para proteção passiva contra incêndio.
As portas resistentes ao fogo para compartimentação atendem às aplicações previstas pela ABNT NBR 11711, enquanto as portas destinadas às saídas de emergência possuem requisitos específicos estabelecidos pela ABNT NBR 11742.
Em data centers e outras instalações de infraestrutura crítica, a definição correta dessas soluções deve fazer parte do projeto de segurança contra incêndio desde suas etapas iniciais.




0 comentários